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Wikinomics: Que tal contar a todos os seus segredos?

Posted by CLAUDIO ALVES em 14/12/2010

Já imaginou sua empresa fazendo tudo de uma maneira diferente da que tradicionalmente vem fazendo nos últimos anos ou décadas? Uma nova teoria apareceu para mudar os negócios: Wikinomics ou Colaboração em Massa, uma forma de ação coletiva que ocorre quando um grande número de pessoas trabalha independentemente para um mesmo objetivo.

As regras para se conseguir uma vantagem competitiva na nova sociedade digital não são as mesmas que as empresas têm utilizado nos últimos anos. O principio básico que se aplica aqui é que a empresa deve olhar para fora da sua organização para desenvolver novas idéias e definir sua direção estratégica. Don Tapscott e Anthony D. Williams, autores do livro Wikinomics: Como a colaboração em massa pode mudar o seu negócio, publicado no Brasil pela editora Nova Fronteira, definem o tema como “A arte e ciência, teoria e prática do entendimento de como aproveitar a colaboração para aumentar a competitividade”. Isso já está acontecendo em diversos segmentos da indústria e já existem exemplos de empresas que desenvolveram seus produtos ou mesmo salvaram seus negócios com auxílio dos usuários da Web. Estudos mostram que inovações em idéias e produtos em uma empresa vêm muito mais do insumo dos funcionários, parceiros e clientes do que dos laboratórios e dos departamentos de P&D como se pensava.

Um bom exemplo de Wikinomics é o que teve que fazer a Goldcorp, empresa canadense de mineração de ouro. Em certo momento, a empresa percebeu que suas reservas mineradoras estavam se esgotando e seu negócio acabaria. Rob McEwen, CEO da empresa, havia assistido no Massachusetts Institute of Technology (MIT) a uma palestra sobre como o Linux surgiu, é mantido e atualizado. Na indústria da mineração, informações geológicas são os segredos mais importantes, estratégicos e bem guardados de uma companhia. McEwen colocou todos os dados da companhia disponíveis no site da Goldcorp, e lançou um desafio para quem achasse os melhores métodos e as melhores reservas de ouro nas minas da empresa, oferecendo uma recompensa de US$ 575.000. Em algumas semanas, uma quantidade imensa de idéias foi submetida, vinda de estudantes, consultores, matemáticos e militares. Os ganhadores identificaram 110 possibilidades, 50% a mais do que os especialistas da própria companhia, alcançando a incrível quantia de 8 milhões de onças de ouro encontradas. A empresa passou de um valor de mercado de US$ 100 milhões para US$ 9 bilhões e estabeleceu uma das instalações mais inovadoras e lucrativas dessa indústria, ainda conservadora

.

Inúmeros outros casos vêm de empresas inovadoras, como a Boeing na criação do avião 787, a BMW na concepção de novos modelos de automóveis, a Wikipedia na construção da enciclopédia mais abrangente e popular da Web, a IBM com o InnovationJam para discussão dos problemas mundiais, a Procter &Gamble com o desenvolvimento de moléculas para tirar manchas de vinho ou para eliminar o cheiro das fraldas. Essas empresas, que não se baseiam apenas nos seus centros de pesquisa, abriram sites pedindo ajuda nessas áreas. O sucesso dessas iniciativas demonstra que as empresas que ainda acreditam que tudo que é necessário para o seu crescimento encontra-se entre seus muros estão enganadas.

É claro que existem críticas e problemas a serem resolvidos nessa abordagem. Andrew Keen, no seu livro O culto do amador, Bantam Books, 2007, argumenta que a História mostra que as massas não são assim tão sábias. Ele cita as guerras, a escravidão e a adoração a ídolos pop como conseqüências de um mundo onde as linhas entre fato e opinião, informação científica e especulação de amadores são intencionalmente confundidas entre si. Outro aspecto a se considerar é o da propriedade intelectual, cujo debate se aqueceu muito desde o início do movimento Open Source.

A maioria dos autores, entretanto, considera que estamos vivendo uma mudança importante na maneira como as corporações desenvolvem produtos e fazem negócios. Assim como aconteceu em alguns momentos do século passado, quando a Ford mudou o conceito de linha de produção e a General Motors criou a corporação moderna, estamos vivenciando uma nova quebra de paradigma, a qual irá certamente mudar o perfil das empresas nas próximas décadas. Sua empresa já está pronta para compartilhar seus segredos com o mundo e vencer?

Fonte:  Technology Leadership Council – Brazil


José Luis Spagnuolo é Senior Certified IT Architect, responsável pela conta Santander, com 22 anos de experiência em tecnologia da informação, formado em Tecnologia pela Universidade Mackenzie e membro do TLC-BR desde 2005.

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