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IPv4 – O novo Bug do Milênio?

Posted by CLAUDIO ALVES em 28/10/2011

A nova versão do protocolo IP (Internet Protocol) que substituirá a versão IPv4 atualmente vigente, será a IPv6.  Esta mudança permitirá a conexão de cerca de 3,4×1038 endereços ao invés dos 4 bilhões de endereços suportados hoje. Alguns analistas previam que os números de IPV4 iriam esgotar em meados de 2012, porém os últimos blocos livres de endereçamento foram alocados pela IANA (Internet Assigned Numbers Authority) em Fevereiro de 2011.

Isso significa que qualquer instituição que necessite de um novo endereço IP oficial, conseguirá somente com um dos cinco orgãos regionais que, porventura, ainda detenham endereços disponíveis. Ao término dessa reserva, as empresas terão que buscar alternativas tais como outsourcing, colocation (hospedagem de computadores em outra empresa), etc.

Há quem fale que esse será o novo bug do milênio. Os profissionais de TI que estavam no mercado de trabalho antes de 2000 devem se lembrar do frisson que ocorreu nos últimos anos antes da virada do ano 2000, em especial no final de 1999. Na maioria dos sistemas, o ano era codificado com dois dígitos e isso poderia causar grandes problemas naqueles que utilizavam datas para efetuar cálculos. Por exemplo, subtrair 99 de 00 era obviamente diferente de subtrair 1999 de 2000. Logo, foi necessário aumentar o campo “ano” para quatro dígitos, o que causou muita correria para alterar os sistemas legados. No final das contas não se soube de grandes problemas ocorridos após aquele tão esperado Reveillón.

Mas o que está acontecendo hoje? Temos praticamente toda a Internet utilizando IPv4 e sem a possibilidade de crescimento no seu atual espaço de endereçamento. Logo, torna-se necessário começar efetivamente a migração para o IPv6. Segundo o levantamento efetuado pela ARBOR Networks, o volume de tráfego IPv6 em 2008 foi de 0,0026% do total e no ano seguinte ainda se manteve nessa ordem.

Ainda existem milhares de aplicações que utilizam o IPv4, mas por outro lado, as grandes empresas já estão disponibilizando produtos compatíveis com IPv6. Como ficam então os programas, aplicativos, sistemas e websites que ainda não suportam o protocolo IPv6? Visualiza-se uma enorme oportunidade para serviços, venda de hardware e software, consultoria, desenvolvimento e treinamento para apoiar as empresas que necessitarão adequar suas aplicações ao novo protocolo. Não podemos nos esquecer ainda do potencial que essa conversão trará, pois todo equipamento que suporte o protocolo IP, tais como celulares, televisões, computadores, eletrônicos, gadgets e o que mais se imaginar precisará utilizar o novo protocolo. Abre-se então um leque inimaginável de oportunidades.

Uma boa saída seria converter as aplicações para o IPv6 através de formas alternativas, utilizando-se de recursos tais como proxy, gateway e NAT (Network Address Translation), mapeando endereços inválidos para endereços oficiais, no entanto isso implicaria em uma possível perda de desempenho das aplicações, causada pela criação de hops  adicionais de tráfego.

O IPv4 durou cerca de 30 anos e, por enquanto, não se consegue nem pensar que algum problema de esgotamento venha a ocorrer com o IPv6, pois, nesse caso, mesmo se cada um dos 7 bilhões de habitantes da Terra tivessem 50 dispositivos com acesso à Internet, ainda seria possível o endereçamento. Mas, no ritmo do avanço tecnológico, não seria surpresa se daqui a 80 anos, por exemplo, os endereços voltarem a se esgotar.

Diferente do bug do ano 2000, a adoção do protocolo IPv6 é um problema menos crítico pois, aparentemente, há tempo suficiente para a migração. É provável que os setores de entretenimento e marketing venham a impulsionar essa mudança, pois são os que necessitam atingir grandes volumes de consumidores e o IPv6 poderá ser uma solução para agilizar esse processo.

 Adaptado de :

Mini Paper Series – outubro de 2011 – Ano 6 – nº 144

Arbor Networks, Special Reports

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